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Timon tem R$ 4,7 mil por habitante e está entre municípios com menor receita do país


Timon chegou a 2025 com R$ 4.727 de receita corrente por habitante, valor que coloca o município entre os de menor disponibilidade de recursos por morador do país. A cidade ocupa a 5.332ª posição entre 5.479 municípios analisados pelos Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal (IFEM), plataforma da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).

O dado chama atenção principalmente pelo tamanho da cidade. Com 182.711 habitantes, Timon ocupa a 171ª posição nacional em população, mas aparece próxima do fim da lista quando o critério é a receita corrente disponível por morador. A média dos municípios brasileiros foi de R$ 7.545.

A situação foi apresentada nesta quinta-feira (25), durante encontro técnico realizado em Timon com gestores municipais e Theo Santini, gerente de Dados e Inovação da FNP. O economista apresentou os números do IFEM e discutiu como as regras de distribuição dos recursos públicos afetam municípios que registraram forte crescimento populacional nas últimas décadas.

O IFEM calcula a receita por habitante dividindo a receita corrente do município pela população. Entram nessa conta tanto os recursos arrecadados pela própria prefeitura quanto as transferências recebidas. O indicador permite comparar municípios de diferentes tamanhos, mas não mede a qualidade do gasto nem a eficiência da administração municipal.

O prefeito Rafael Brito afirma que o valor recebido pela cidade tem impacto direto na capacidade do município de financiar serviços e políticas públicas. “Você vê que nós estamos recebendo praticamente a metade da média nacional de recursos vindos de transferências. Isso dificulta muito a execução de políticas públicas”, afirma.

Segundo o prefeito, os indicadores apresentados pela FNP também podem ser usados para orientar o planejamento municipal e a busca por alternativas para ampliar as receitas. “A gente tenta sempre fazer mais com menos. É muito importante planejar um município mais eficiente com base em dados, porque precisamos mensurar tudo isso”, diz.

FNP defende revisão na distribuição de recursos

Segundo Santini, parte da desigualdade identificada pelo levantamento está relacionada a mudanças na distribuição da população brasileira que não foram acompanhadas, na mesma proporção, pela distribuição dos recursos públicos. “Muitas vezes, os critérios de transferência olham apenas para a população. No caso de municípios como Timon, cuja população cresceu muito ao longo das últimas décadas e cuja receita não acompanhou, é importante que essas regras sejam revistas”, afirma.

Ele ressalta, no entanto, que uma eventual revisão do modelo precisa ocorrer de forma gradual, sem simplesmente retirar recursos de um município para transferi-los a outro. “Não é questão de querer tirar dinheiro de um para colocar em outro. A gente defende que as regras sejam mais justas e que o dinheiro vá onde a população está. Todos somos brasileiros e todos merecemos serviço público de qualidade”, diz.

Para Santini, conhecer em detalhes de onde vêm os recursos também ajuda os gestores a identificar os limites financeiros do município e as possibilidades de ampliar as receitas. “Entender como funciona o financiamento do seu município, cada tipo de receita e como ela se compara com os demais municípios do país e do Estado é de suma importância”, afirma.