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Secretaria de Direitos Humanos reúne líderes religiosos no dia do combate à Violência baseado na Religião ou Crenças


A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SEMDHC) de Timon reuniu representantes da igreja católica, evangélica e Umbanda para promover um diálogo sobre o Dia Internacional de Homenagem às Vítimas de Atos de Violência baseados na Religião ou Crença, celebrado anualmente no dia 22 de agosto. A conversa expositiva na manhã desta segunda-feira (22), no auditório Wall Ferraz, teve como ouvintes alunos inseridos no Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA).

A SMDHC procurou diversificar a mesa, convidou líderes com diferentes crenças para esse encontro. Cada um deles se manifestou a respeito de suas experiências, sob os olhares atentos de vários estudantes da rede de ensino. O foco era expor um tema que todos concordam: a importância do combate à intolerância religiosa e o papel de cada um como agente de transformação.

Convidado da Igreja Católica, Diácono Francisco parabenizou a Secretaria pela iniciativa, mas lembrou que os líderes também precisam tomar esse tipo de atitude.

“Qualquer instituição religiosa poderia dar esse passo. Poderia ter sido nós da Igreja Católica, nossos irmãos evangélicos e as nossas Umbandas. Poderíamos ter proporcionado isso, e graças a Deus a iniciativa está vindo exatamente da Secretaria de Direitos Humanos, e isso me deixou muito feliz”, afirmou Diácono Francisco.

Em sua declaração, o Pr. Gleybson Ricardo, Doutor em Teologia pela FAETESP e Presidente da Igreja Batista do Evangelho Pleno/Missões Transculturais, comentou que, apesar de as pessoas não falarem tanto, a intolerância também se manifesta contra os evangélicos. O ministro evangélico reforçou a importância da discussão e relatou experiências de intolerância vividas por ele na escola, no meio da militância popular e até mesmo em uma atividade pública voltada para discutir o tema das religiões.

 

“Infelizmente, a intolerância religiosa está presente em diversos locais. Ela acontece de várias formas e ainda é muito forte, por isso é importante disseminar conhecimento, porque ter atitudes de intolerância é demonstrar ignorância. Discordar de uma convicção religiosa é diferente de ter uma atitude intolerante. Ter uma maneira diferente de culto não faz de mim, ou do outro, uma pessoa melhor ou pior do que outra. O que precisamos é transitar com compreensão e respeito entre pessoas de diferentes convicções, ou até sem nenhuma convicção religiosa, porque somos, antes de tudo, seres humanos, com direitos e deveres, e com liberdade de culto”, pontuou o pastor.

Vereador da cidade e Umbandista, Alexandre da Comunidade (PDT), reforçou a necessidade da educação nas escolas. Temática que não trata da doutrinação sobre uma religião específica, mas de educar sobre o direito que cada pessoa tem de exercer e praticar sua crença, sem ser intimidado ou reprimido socialmente.

“Conversamos com o secretário de Educação sobre o assunto, do projeto de levar a educação religiosa para as creches, para as escolas, buscando projetos de educação para alunos e crianças aprenderem que é crime a intolerância religiosa e que pedimos mais respeito e empatia para convivermos no mesmo espaço”, destacou Alexandre da Comunidade.

A intolerância verbal é o primeiro passo para outros tipos de violência, como patrimonial ou física. O Coordenador Municipal da Articulação Nacional de Povos de Matriz Africanas e Ameríndia (ANPMA), Pai Germano de Oxóssi, relembrou a discriminação que sofreu ao longo da vida, e alertou sobre o impacto que a ignorância tem na vida de pessoas que frequentam terreiros.

“Aqui em Timon nós temos mais de 300 terreiros de Umbanda, e a questão da intolerância para com os povos de terreiros é muito frequente, com um caso polêmico recente. Então nós viemos aqui com o intuito de que se possa fortalecer políticas públicas voltadas à inclusão das religiões africanas dentro do município, para que os povos de terreiros tenham voz”, declarou Pai Germano de Oxóssi.